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Capítulo 4

Café e Carona

Capítulo da fanfic inspirada em Jobe Bellingham

Você está dentro da história:

Eduarda e Jobe. Você pode trocar os nomes quando quiser.

Jobe

Eu não nunca me considerei um grande observador, isso realmente não era comigo, era capaz de entender o que estava acontecendo no momento das interações, às vezes tentar pensar porque alguém se comportou de tal maneira. Mas ver ela com a cabeça encostada no vidro, me deu a sensação de estar olhando para alguém cansada, não sei cansada era o certo, parecia de certa forma…sozinha.

Ela não sorriu de volta quando os nossos olhares se cruzaram, e isso ficou comigo o resto do dia. Queria entender o motivo disso, não sou vaidoso ao ponto de achar que ela precisa sorrir sempre que me ver, mas ela fez isso das outras vezes, mesmo que todas tenham sido por educação. Eu tinha certeza que algo estava acontecendo. Eu queria ser totalmente alheio, mas não consegui, então fiz o que minha mãe me ensinou, se você está em um dia ruim, não há nada que um café não resolva. Bom, era isso que eu conseguia entregar no momento.

Quando cheguei em frente a sala, ela estava distraída rabiscando no vidro, bati e levantei um dos copos de café, ela apontou pra si mesma e eu fiz sinal de “sim”, ela caminha até a porta e a abre.

— Trouxe um café.

— Não precisava.

— Eu já estava indo pegar um — ela ri, eu me animo — Além do mais, o clima lá fora está horrível, um café quente vai ajudar. 

Fiquei uma semana levando café para ela. No primeiro dia foi apenas um não precisava e uma careta porque ele estava sem açúcar. No segundo dia já não estava ruim, mas ela disse que preferia com adoçante. No terceiro dia eu ouvi ela suspirar depois do primeiro gole e dizer que estava perfeito. No quarto dia em diante, a porta da sala dela já estava sempre aberta.

Ela me vê chegando, já se aproxima sorrindo para pegar o copo e comenta

— Sabia que ontem no final do dia os meninos decidiram fazer um grito de guerra antes dos jogos? — ela vai me contando de como os meninos foram contar animados para ela e para o treinador sobre a ideia deles. Aproveitei para perguntar como eles estavam indo, e sempre que ela respondia, eu a ouvia atentamente, tentando de alguma forma guardar todas as informações dessa interação. Nos despedimos pois eu teria outros compromissos no CT, mas antes de sumir pelo corredor, arrisquei uma última olhada, e quando virei, ela estava lá.

Me olhando.

Sorrindo.

O dia realmente foi corrido, mas  sabia que o sub-13 iria treinar das 15 às 17h, e por volta de 15:30h comecei a atravessar o CT para acompanhar um dos treinos deles. Fiquei a uma distância segura para que ninguém, nem mesmo ela me visse, não queria estragar o programa por querer entender como ele funcionava. Ao longo do treino vai ficando claro que sempre existe algo que antecede alguma jogada dos meninos, errar um passe ou tomar o drible, todas situações que levariam eles a ficarem frustrados ou com raiva, e neste casos eles não fazem nada, não falam nada quando o menino exibe estes comportamentos, emitem qualquer palavra apenas depois que volta para o jogo. E até onde eu estava entendendo, quando alguém do time gritava próxima jogada, era responsável por trazer a pessoa de volta e ela conseguir emitir outro comportamento que não fosse esses. Acompanhei eles durante uma hora e meia e foi quase que um padrão em todas as ações. Ela realmente faz isso todos os dias.

O treino terminou e quando todos saíram e ela estava guardando a câmera me aproximo dela que virá rapidamente

— Oi, ainda aqui? —  eu abro a boca pra responder e sou cortado — Pera, esse não é seu campo.

— Vim ver o treino — ela dá o mesmo sorriso espontâneo que deu todas as vezes que eu estou escutando atentamente o que ela fala, ou fazendo perguntas para que ela fale mais.

— E ai? O que você achou?

 — Creio que estou conseguindo entender como está acontecendo, mas ainda não sei como isso é possível.

— Posso te explicar um dia desses com um pouco mais de calma. Vamos, o tempo não parece estar muito bom? —  caminhamos em direção a saída do campo. Fui para o estacionamento e vi que ela iria atravessar o CT para ir até a recepção.

No caminho para o estacionamento, começou a cair algumas gotas da tempestade que iria vir. Entrei no carro, e quando passei na porta do CT vi ela parada, não sabia se iria de aplicativo de carro, se iria a pé ou de ônibus.

Abaixo o vidro do carro.

— Você mora para esse lado?

— Moro.

— Entra aí.

Ela sorri agradecida e entra. 

— Quer ouvir alguma coisa? 

— Não, mas se faz parte de um ritual seu ouvir música, por mim tudo bem —  solto uma risada. Ela não pede licença, liga o som e começa tocar Smack That do Akon com Eminem, ela abre a boca chocada e quando o Akon começa fico surpresa dela começar a cantar junto

I feel you creeping, I can see you from my shadow

Wanna jump up in my Lamborghimi Gallardo?

Maybe go to my place and just kick it like Tae Bo

And Possibly bend you over?

— Não brinca !!! —  foi a única reação possível que eu pude antes de começar a acompanhar ela na música. Foi tudo muito rápido e espontâneo demais, me fez lembrar que eu sempre quis saber quem era ela para além de campos, futebol, crianças. E ela estava fazendo isso nesse momento

— Eu amo essa música — disse ela sorrindo, e automaticamente indo colocar outra música do Akon… O carro foi preenchido por Loney…

— Seu endereço, preciso do endereço —  entreguei meu gps, e ela colocou, a casa dela ficava uns 10 minutos mais longe que a minha, teria 30 minutos ainda pela frente. Ainda estávamos cantando, e senti quando os dois respiraram fundo para dar tudo de si no refrão que estava vindo 

(obs: queridas leitoras, coloquem a musica nos seguinte tempo 2:51)

“Nunca pensei que eu estaria sozinho

Never thought that I’d be alone

Não esperava que você pudesse ficar ausente por tanto tempo

I didn’t think you’d be gone this long

Eu só quero que você ligue pra mim

I just want you to call my phone

Então pare de brincar, garota, e volte para casa (volte para casa)

So stop playing, girl, and come on home (come on home)

Pequenina, eu não queria ter gritado

Baby girl, I didn’t mean to shout

Eu quero que a gente resolva isso

I want me and you to work it out

Eu nunca quis machucar minha pequena

I never wished that I would ever hurt my baby

E isso está me levando a loucura, porque eu estou tão

And it’s drivin’ me crazy, ‘cause I’m so”

— Você sempre escuta Akon? — pergunto a ela enquanto a música vai acabando

— Eu sempre escutava com meu tio quando era pequena, na época que dvd ‘s existiam — ela começou a olhar pra frente e não comentou mais nada. Quando a música parou, a outra não tinha começado e o silêncio tomou conta, ela olhou pela janela do carona, isso me fez lembrar do dia em que estava encostada no vidro, fui invadido pela mesma sensação de que ela se sentia sozinha, ou cansada, e então eu resolvi arriscar

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— Anda se sentindo solitária? — ela me olhou por um longo tempo, não porque não sabia responder a isso, não, era alguma coisa, esperei o tempo dela. Ela abriu um sorriso, daqueles que vem acompanhado por uma expressão de tristeza.

— Obrigada, eu não sabia que precisava ouvir essa pergunta, até você fazer ela —  vi quando ela afastou uma lágrima dos olhos, e ver ela tão vulnerável me fez sentir vontade de encontrar formas dela não se sentir mais assim, não precisei falar nada para preencher o momento, ela mesmo saiu falando — Hoje é aniversário do meu sobrinho, eu estava lá no primeiro dia dele quando ele nasceu, mas não estou lá hoje, então, dói sabe? Estar longe…Me faz pensar em tantas outras coisas que queria estar tendo e vivendo também…Datas comemorativas me deixam assim, meio emocionada, sabe?

— Sinto muito, imagino que ele seja muito importante pra você — não tinha mais o que ser dito, ao menos eu não sabia o que dizer a ela — Sabia que meu irmão não sabe dirigir?

— O que???? — ela sorriu desacreditada

— Sim, por isso minha mãe mora com ele na Espanha. ele não sabe dirigir e nem cozinhar. é um inútil.

Ela cai na risada e isso me conforta um pouco

— Como isso é possível??? Mas e você? Quer dizer dirigir você sabe né, mas e cozinhar?

— Eu diria que sei sobreviver, mas tem uma pessoa que cozinha pra mim, e meu pai ficou comigo enquanto minha mãe está com meu irmão.

— E você sente falta dela? 

— Sim, mas quase sempre nas folgas a gente acaba fazendo algo, de avião é rápido e temos essa condição hoje em dia.

— Fico feliz, o Brasil fica a dezesseis horas. Então é meio inviável voltar. 

— Quanto tempo você fica aqui? — foi nesse momento em que me toquei que em algum momento ela vai deixar esse lugar

— Bom, depois dessa próxima fase de 4 meses, eu fico mais 6 meses e acaba meu tempo aqui. Tem um tempinho ainda.

Chegamos na casa dela, apartamento na verdade

— Obrigada Jobe — ela tirou o cinto, se aproximou e me deu um beijo na bochecha —  Tchau.

— Até segunda-feira — esperei ela entrar e dei partida no carro.

Enquanto percorria o caminho de casa, duas coisas me atravessavam

A primeira era que a presença dela no Borussia, ou na Alemanha tinha prazo de validade.

A segunda era que, pela primeira vez em muito tempo, eu queria que alguém ficasse.

Aviso: Esta é uma obra de ficção criada por fãs, sem vínculo, autorização ou endosso de Jobe Bellingham, seus representantes, clubes ou marcas relacionadas.